Dois dedos de cachaça sobre autoconhecimento
Dizem que o álcool é um soro da verdade, que aquilo é falado quando se está bêbado é o que você realmente pensa. Claro que essa afirmação é um exagero. O que acontece é que quando você sai um pouco de si, acaba perdendo alguns freios que foram colocados em sua vida — alguns que você nem sabe quando foram colocados lá, ou mesmo tem noção da existência deles. Barreiras que muitas vezes não são reais, apenas linhas de giz desenhadas no chão, fronteiras impostas pela sociedade ou por si mesmo, que conscientemente você as evita, foge delas e se vê acuado no meio de um círculo branco. Quando saímos um pouco do mundo consciente, não é difícil esquecer da existência desses meridianos e passar por cima de um ou de outro. A consequência disso é nos conhecermos de verdade — além de algumas vergonhas e confusão —, descobrimos sobre desejos reprimidos por medo de julgamento, sobre pensamentos que evitamos falar para não desagradar alguém. Eu tinha medo de beber. Tinha medo de descobrir o que...